Diário de Notícias, 25/03/2010
"Na próxima sexta feira (dia 26) serão pagos os reembolsos a mais de 60 mil contribuintes e, a partir desse dia, serão emitidos a um ritmo regular entre 60 mil a 80 mil reembolsos diários", lê-se no comunicado do ministério, hoje emitido.
O primeiro pagamento foi feito na terça-feira a cerca de 300 contribuintes, mediante transferência eletrónica para a sua conta bancária.
A entrega da declaração do modelo 3 de IRS, através da Internet, começou no dia 10 deste mês: "O pagamento destes reembolsos ocorreu 14 dias depois, muito antes de expirado o prazo de 20 dias a que a DGCI [direção-geral de contribuições e impostos] se havia comprometido publicamente, e mais de cinco meses antes do prazo legal", congratula-se o ministério.
quinta-feira, 25 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
a seguir, o mundo...

ionline, 18/03/2010
Quando três adeptos de todo-o-terreno decidiram organizar uma limpeza de florestas, não imaginavam que em menos de um ano estariam à espera de mais de 100 000 pessoas para "Limpar Portugal", uma "trabalheira" que será finalmente concretizada no sábado.
A ideia de recolher resíduos espalhados nas matas surgiu em julho passado, quando o técnico de logística Nuno Mendes, de 38 anos e residente em Vila Nova de Famalicão, publicou no fórum da Internet do clube LandMania (para fãs de veículos Land Rover) um vídeo sobre um projeto concretizado em toda a Estónia, onde se reuniu mais de 10 000 toneladas de lixo.
A legenda "Para quando em Portugal?" suscitou de imediato o interesse dos associados Rui Marinho, com 43 anos e gerente de uma empresa de produtos químicos em Santo Tirso, e Paulo Torres, empresário de comércio de 50 anos e morador em Braga.
Nenhum tinha até então estado envolvido em associações ambientais, mas todos partilhavam uma preocupação: o lixo que encontravam durante os passeios em todo-o-terreno, desde para-choques, pneus, resíduos industriais e entulhos de obras a eletrodomésticos e sofás.
"No início falámos com um certo tom de brincadeira, de foro interno, mas o Paulo criou uma rede social e passadas duas, três semanas tínhamos 3000 voluntários e decidimos que já não poderia ser só do clube", conta Nuno Mendes à Lusa.
"Ao fim de quinze dias fizemos uma reunião na Lousã, apareceram 25 pessoas e arrancou-se com esta trabalheira. Na altura e até hoje inspirámo-nos na Estónia - se tinham conseguido com muito menos população, nós haveríamos de juntar 100 000", diz Paulo Torres.
Com uma rápida divulgação na Internet, o projeto acabou por ganhar a atenção da comunicação social, das autarquias, de empresas públicas e privadas, do Ministério do Ambiente (que concedeu apoio logístico e jurídico) e da Presidência da República, que lhe atribuiu o alto patrocínio.
Os mentores acreditam que o facto de este ser um movimento cívico, que não aceita dinheiro, foi crucial para o envolvimento "espetacular" da sociedade, que resultou na identificação de cerca de 13000 pontos com lixo em todo o país, entre florestas e terrenos urbanos.
Além destes, perto de 200 foram já limpos em experiências piloto.
Todas as lixeiras foram referenciadas numa aplicação informática concebida por três alunos da Universidade de Aveiro e serão eliminadas por grupos organizados localmente.
Na página oficial da iniciativa (www.limparportugal.org) é ainda possível fazer a inscrição, mas a organização lembra que todos os interessados podem ajudar, mesmo que não tenham aderido oficialmente.
Apesar de entusiasmados com os resultados, os mentores do "Limpar Portugal" não sabem se seguirão algumas sugestões de "não ficar por aqui", tendo em conta o cansaço e o fato de não trabalharem na área.
"Isto nasceu como projeto único. Temos consciência de que criámos uma infraestrutura poderosa, que poderá conseguir coisas engraçadas, mas a ideia não é ganhar protagonismo ou fazer uma rede de contactos", explica Rui Marinho.
A empresa Silvex, com sede em Benavente, vai disponibilizar 124 mil sacos de lixo para a ação nacional de limpeza das florestas do projeto Limpar Portugal (PLP), marcada para o próximo sábado.
Segundo Sandra Bastos, da área do marketing da empresa, os sacos vão ser distribuídos às equipas de voluntários nos concelhos de Lisboa, Coimbra e Benavente.
"A Silvex pretende contribuir para sensibilização da limpeza das florestas, fomentar boas práticas ambientais e promover a consciência para a defesa daquele que é um território de todos os portugueses", sublinha uma nota da empresa.
Alguns dos sacos distribuídos, que terão entre 80 a 100 litros de capacidade, são da nova gama de sacos de lixo ecológicos que a Silvex está a produzir, com 60 por cento de material reciclado a partir do desperdício de plástico da sua unidade de produção em Benavente.
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
direitos de homem!

Público, 15/03/2010
Há mais homens a tirar licenças de parentalidade desde a entrada em vigor, em Maio de 2009, do decreto-lei que alarga a licença de quatro para cinco meses, paga a 100 por cento, quando parte desse período é partilhado entre pai e mãe. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, o número subiu de 605 em 2008 para mais de 12 mil em 2009.
Dados positivos, segundo a investigadora da Universidade Católica Portuguesa (UCP) Clara Sottomayor, que coordenou um estudo sobre a aplicação da lei da maternidade e da paternidade em Portugal, antes da entrada em vigor do novo diploma. A docente sublinha que, em 2008, os casos de partilha da licença representavam "apenas 0,8 por cento em relação ao número de beneficiárias de licenças de maternidade", o que era "um valor muito residual".
Se nos três primeiros meses de 2009 se registaram 50.561 processos, dos quais 370 pedidos por homens, nos últimos oito meses de 2009 foram deferidos 44.757 processos e, entre estes, 12.207 foram pedidos pelos pais.
A nova lei veio distinguir entre quem pede uma licença parental de seis meses - subsidiada com 83 por cento do salário bruto - e de cinco meses, quando partilhada pelo pai e pela mãe, que atinge 100 cento do subsídio. As famílias que pediram 120 dias foram 14.021, contra 18.876 que requereram 150 dias.
Público, 15/03/2010
O tempo de licença continua, porém, a ser superior nas mulheres. Dos 12.207 processos pedidos por homens, 11.844 requeriam, pelo menos, 30 dias e 363 menos de um mês. A maioria continua a gozar apenas os 10 dias obrigatórios.
"O ideal seria que 50 por cento das licenças fossem gozadas pelo pai para que as mulheres não sejam discriminadas no trabalho", diz Clara Sottomayor, notando que, nas entrevistas feitas para o estudo, "há mulheres que se queixam de represálias da entidade patronal, por terem estado ausentes - algumas foram despedidas, outras abandonaram a carreira". As mesmas entrevistas mostram que ainda existem "ideias de género" segundo as quais o papel de cuidar do recém-nascido é da mãe.
O estudo, financiado pelo QREN/POPH/CIG/Eixo 7 e adjudicado à escola de Direito do Porto da UCP pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, contou ainda com a colaboração das faculdades de Educação e Psicologia e de Economia e Gestão da Católica.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Terapia anti-crise!

Público, 10/03/2010
ModaLisboa
A ModaLisboa reencontra-se com a capital, depois de cinco edições em Cascais, para dar a conhecer as colecções de Inverno 2011 dos criadores nacionais. A "opening session" está a cargo de The Legendary Tiger Man, com um "show-case", a abrir a Lisboa Fashion Week, a 11 de Março.
Durante quatro dias, e em dois espaços, o do Pátio da Galé (Terreiro Paço) e o do Museu do Design e da Moda (Mude), a ModaLisboa volta a acolher 19 importantes nomes da Moda Portuguesa: aforestdesign; Aleksandar Protic; Alexandra Moura; Alves/Gonçalves; Ana Salazar; Dino Alves; Filipe Faísca; Katty Xiomara; Lara Torres; Luís Buchinho; Miguel Vieira; Nuno Baltazar; Nuno Gama; Pedro Pedro; Ricardo Andrez (uma estreia na ModaLisboa); Ricardo Dourado; Ricardo Preto; Vítor e White Tent.
Este ano há três convidados externos: as portuguesas TM Collection e Salsa e a angolana Mental by Shunnoz e Tekasala. José António Tenente está fora desta ModaLisboa, ocupado com exposições, livros e outras actividades. Lidija Kolovrat continua ausente há duas estações. A dupla Manuel Alves/José Manuel Gonçalves volta a integrar o calendário oficial da ModaLisboa e viaja depois para o Portugal Fashion.
" Check Point " foi o tema escolhido para esta edição. Uma experiência que pretende ultrapassar a sua geografia familiar, será uma partilha do espaço comum de uma cidade, seja através de conversas de café, mudas de roupa, ou diálogos de gosto entre vizinhos, entre o Patio da Galé, no Terreiro do Paço, e o MUDE, Museu do Design e da Moda, na Rua Augusta. Dois pólos, um acontecimento. Tudo será feito a pé, andando, e tudo estará ao pé, entrando-nos por casa adentro.
terça-feira, 9 de março de 2010
Obrigado! Bem precisávamos...

ionline, 09/03/2010
Caetano Veloso vai dar dois concertos no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, de apresentação do álbum "Zii e Zie", nos dias 26 e 27 de Julho.
O álbum, de "transambas e transrock", segundo Caetano Veloso, é uma espécie de pingue-pongue entre o samba e o rock.
Musicalmente, "Zii e Zie" não está muito distante de "Cê", até porque os músicos que acompanham Caetano são os mesmos.
Na digressão que fez em 2008, Caetano Veloso foi experimentando alguns dos temas novos em frente ao público, mesmo que essas canções fossem ainda uma obra aberta, com letras incompletas e arranjos por acertar.
Enquanto a obra esteve em progresso, Caetano Veloso socorreu-se ainda da Internet para contactar mais de perto com o público e criou um blogue (precisamente Obra em Progresso), uma espécie de "botequim virtual", como apelidou.
Entre os temas que compõem o álbum está "Menina da ria", dedicado a Aveiro e que resulta de uma promessa feita ao público que esteve num concerto seu nessa cidade em 2008.
A ria "é uma característica da cidade. É muito bonita. Todo o mundo fala 'a ria'. Eu comentei na hora do show, só de violão: eu vou fazer uma música chamada 'Menina da ria'. Eles riram muito, aplaudiram, fiquei com esse compromisso, cheguei no Brasil e fiz", explicou.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Alice....

Crítica Ípsilon por:
Luís Miguel Oliveira
Que Tim Burton pegue em Lewis Carroll não é por certo estranho nem extraordinariamente inesperado, porque o universo do escritor inglês sempre esteve à distância de um espelho do do realizador americano ("americano", mas em processo de anglicização, como nos últimos filmes se vinha vendo e este não desmente, bem pelo contrário). Que Carroll se ofereça assim à "burtonização" talvez seja mais digno de nota: Burton apropria-se de Alice e do País das Maravilhas sem fricção, uma espécie de "ocupação" pacífica e consentida, sem precisar de disparar um tiro. Tudo é orgânico e harmónico, numa sobreposição perfeita que torna inútil (ou pelo menos pouco profícuo) o exercício de dissecação.
Distinguir "isto é Burton" e "aquilo é Carroll": que importa, se a coisa se faz una? Diríamos que Burton pega - à letra - numa das características do livro de Carroll, o facto de ele se dirigir primordialmente à imaginação do leitor. E que é recorrendo à sua "imaginação de leitor" que Burton constrói a sua "Alice". A imaginação de Burton, conhecemo-la bem, e seguramente a reconhecemos aqui (donde, a impressão de familiaridade que já descrevemos). Surpresa? Surpresa nenhuma, ou só - se nos pusermos a pensar nisso - que essa imaginação trabalhe num diálogo directo com a fonte carrolliana, e surja imediada - mesmo "despoluída" - por outras imaginações de "Alice". Enfim, não conhecemos todas - há uma versão de Jonathan Miller que anda por aí nas prateleiras dos DVDs de importação - mas este é um filme Disney (uma produção Disney) que é o perfeito negativo da versão Disney que enformou, em tanta gente de tantas gerações, uma visão de "Alice no País das Maravilhas".
E é o negativo disso porque (para além de questões de invenção visual) intensifica, em vez de atenuar, a dimensão mais perturbante do relato de Carroll. O absurdo daquilo tudo, a loucura daquelas personagens todas. É evidente que isto não é País das Maravilhas nenhum, é um País dos Horrores, vivido (ou criado) no limiar suportável da desagradabilidade. Atenção, por exemplo, à paisagem (algo inóspita, por vezes "lunar", ou a lembrar um "pós-apocalipse") ou às cores do céu (cinzento, muito "bleak" - como a meteorologia inglesa?...). E ao modo como este tratamento "atmosférico", em fundo do tratamento das personagens, salienta o óbvio: como sempre em Burton o "pesadelo" mal se distingue do "sonho", e por muito que a promoção de "Alice" pareça dirigir o filme a um público infantil, a quem Burton de facto se dirige é aos adultos. O outro lado do espelho é um inferno, grotesco e distorcido.
E as 3D? Digamos muito brevemente duas ou três coisas: que são usadas de maneira muito menos ostensiva do que em "Avatar" (muito menos cansativa, também), e que se nota uma relação mais coerente entre o seu uso e a própria composição espacial. E ainda que, trabalhando mais sobre pintura (ou "como pintura") do que Cameron, Burton se diverte, nalguns momentos, a anular o relevo, a transformar os corpos dos actores em silhuetas planas, a fazer "2D" dentro do "3D". No mínimo, é divertido e inteligente. O frabjous day!.
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